Controle de escorpiões é tema de treinamento de profissionais da Divisão de Zoonoses

Para reforçar o preparo das equipes da Divisão de Zoonoses, no controle de escorpiões, a Prefeitura de Marília, por meio da Secretaria Municipal da Saúde, realizou nesta segunda-feira (4) um treinamento ministrado por técnicos da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias).

O aparecimento do animal está cada vez mais frequente em municípios da região. As causas incluem a ocupação urbana desordenada e acumulação de objetos nos quintais e residências.

Em Marília, as responsabilidades pelas ações de controle são compartilhadas entre os ACSs (Agentes Comunitários de Saúde), ACEs (Agentes de Controle de Endemias), ACZs (Agentes de Controle de Zoonoses), supervisores de Saúde, veterinários e também pelos próprios moradores.

Cada um tem um papel a ser desempenhado para que a população fique protegida. O trabalho inclui vistoria em residências, constatação e captura dos animais, limpeza de áreas que possam favorecer a proliferação, orientação aos moradores sobre instalação de barreiras, entre outras medidas para prevenção de acidentes.

O treinamento foi ministrado pelo engenheiro agrônomo Cláudio Gonçalves Cabello, técnico da Sucem. A supervisão das ações de controle é do veterinário Lupércio Garrido Neto, que compõe a equipe da Zoonoses e já possui expertise em relação a combate a esse tipo de praga urbana.

“Estamos hoje dando um passo importante no sentido da educação permanente. O problema dos escorpiões não é novidade em Marília, mas os relatos estão aumentando. Isso faz parte de uma nova realidade e exige preparo de todos”, disse Garrido. Participam supervisores de saúde e veterinários, que multiplicarão a informação com as equipes.

INTERSETORIALIDADE

A secretária municipal da Saúde, Kátia Ferraz Santana, alertou a população a “não se acostumar a conviver com nenhum tipo de ameaça”. Ela classificou como um problema de saúde pública, com grande intersetorialidade com outras áreas, como limpeza e planejamento urbano.

“Já pedimos às nossas equipes atenção redobrada nas regiões com maior incidência, mas os moradores podem procurar uma unidade de saúde, solicitando a visita dos agentes. A Zoonoses será acionada para o atendimento adequado, identificação de eventual abrigos e captura. Precisamos do comprometimento de todos para reduzir os riscos”, destacou a secretária.

CENÁRIO NACIONAL

Em 2016, segundo o Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação), do Ministério da Saúde, foram registradas 17.250 acidentes com picadas de escorpiões em São Paulo, estado líder em ocorrências. Dez morreram.

Em apenas dez anos, o total de acidentes no país saltou de 36.965 para 827.644. Parte desse resultado se deve a melhoria do controle do sistema de notificação, porém, especialistas vêm relação entre o grande crescimento dos ataques e a ocupação urbana desordenada.

A limpeza é fundamental. Não é recomendado o uso de pesticidas. Em caso de infestação, é importante a instalação de obstáculos em baixo das portas, em ralos e entradas e saídas de água. É necessário verificar calçados antes de vestir e objetos que possam servir de abrigo aos artrópodes.

EM CASO DE ACIDENTE

Conforme o Ministério da Saúde, não existem exames laboratoriais para confirmação do diagnóstico. A picada por escorpião leva a dor no local, de início imediato e intensidade variável, com boa evolução na maioria dos casos.

Crianças, porém, podem apresentar manifestações graves, como náuseas e vômitos, alteração da pressão sanguínea, agitação e falta de ar. Caso ocorra o acidente, recomenda-se fazer compressas mornas e utilizar analgésicos para aliviar a dor até chegar a um serviço de saúde para que o médico possa avaliar a necessidade ou não de soro ou tomar outras medidas necessárias.

Os primeiros socorros incluem limpeza do local da picada com água e sabão, não fazer torniquete ou garrote, não furar, não cortar, não queimar, não espremer, não fazer sucção no local da ferida e nem aplicar folhas, pó de café ou terra sobre ela para não provocar infecção.

Importante não ingerir bebida alcoólica, querosene, ou fumo, como é costume em algumas regiões do país. É importante levar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo para que possa receber o tratamento em tempo. Em Marília, o PA e a UPA estão preparados para o atendimento inicial e, se necessário, encaminhamento. Em caso de necessidade da administração de soro antígeno, o hospital de referência é o HC (Hospital das Clínicas).

 

 

Foto: Júlio César de Carlis

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