Projeto ‘Mãos que falam’ ensina Libras para profissionais de Educação

Unimar inicia capacitação; domínio do idioma amplia ferramentas de inclusão na rede de ensino

Cerca de 10% da população, estimam especialistas, utiliza um idioma que não precisa de som, para ser compreendido. A Libras (Língua Brasileira de Sinais) é mais que uma alternativa ou necessidade, é uma ferramenta de inclusão e cidadania. Para reforçar as práticas pedagógicas do Departamento de Educação Especial, a Secretaria Municipal de Educação e a Unimar (Universidade de Marília) firmaram parceria e iniciaram um curso para profissionais da área.

As aulas começaram nesta quarta-feira (09), no auditório da secretaria. Cerca de 100 servidores, entre professores, coordenadores, diretores, auxiliares de desenvolvimento escolar e outros profissionais, farão os estudos no projeto “Mãos que falam”.

O curso é ministrado pela professora Célia Pavarini da Silva, docente de Língua Brasileira de Sinais da Unimar. Graduada em Direito, ativista pela inclusão, ela possui experiência na área de Educação, com ênfase em Libras, sendo referência na disciplina e na formação de falantes e multiplicadores.

A aula inaugural contou com a presença da pró-reitora de Ação Comunitária da Unimar, Fernanda Mesquita Serva, e do pró-reitor de Pós-graduação e Procurador da República Jefferson Aparecido Dias. O secretário municipal de Educação, professor Beto Cavallari, foi representado pelo coordenador de gestão da pasta, professor Joaquim Bento Feijão.

Na abertura, a supervisora do Departamento de Educação Especial da secretaria, Sabrina Alves Dias, destacou a importância de prover avanços, aos profissionais, em mais uma área de conhecimento para favorecer uma educação inclusiva de qualidade.

O educador e gestor Joaquim Feijão deu boas-vindas aos alunos. Ele agradeceu a parceria da Universidade e lembrou que o curso de Libras irá ampliar as frentes de formação que a secretaria já oferece para a capacitação integral da rede. Beto, em mensagem aos servidores, desejou boas aulas e lembrou que as parcerias fazem parte do modelo de gestão.

Fernanda Serva destacou o trabalho da professora Célia, que, em extensão comunitária ou mesmo nas aulas regulares da graduação, tem gerado benefícios aos alunos da Unimar e à população em geral. “O trabalho em parceria, para nós, é fundamental. É desejo da nossa instituição que esse curso chegue a cada vez mais pessoas”, disse.

O Pró-reitor de Pós-graduação se declarou entusiasmado com o aprendizado de Libras e como a iniciativa gera impacto social. Ele já se comprometeu a prestigiar a formatura dos profissionais de Educação e incentivou o aprofundamento no curso.

A professora Jaqueline Alzira dos Santos, da Emei Nelson Gabaldi, já atua na Educação Especial e fez questão de fazer o curso. “Minha formação é para o trabalho com alunos com deficiência intelectual. Ainda não tenho esse conhecimento específico. Ao término do curso, quero me tornar mais completa, como profissional”, disse.

Em todas as áreas houve grande interesse. Erli Sanches é auxiliar de desenvolvimento escolar na Emei Meu Anjo e também aderiu a Libras. “Gosto de desafios, de me envolver, de interagir”, afirmou.

QUEM É O DEFICIENTE?

Já primeira aula, após as apresentações pessoais e fundamentos da disciplina e do curso, a professora Célia envolveu os alunos com as lições práticas. Ela explica que Libras não é uma linguagem, mas uma língua, ou seja, um idioma.

Assim como a maioria das pessoas conhece uma ou duas palavras em língua estrangeira, também seria interessante, segundo a professora, que todos conhecessem os sinais que representam cumprimentos ou agradecimento, na língua da inclusão.

Para o convívio social faz muita diferença. Com um simples cumprimento em Libras, quebra-se imediatamente as resistências. Podemos descobrir pessoas maravilhosas, que desejam se comunicar e tem muito a transmitir com os sinais”, ensina Célia.

Mais informações sobre o curso na Secretaria Municipal de Educação podem ser obtidas pelo telefone (14) 3402-5300. Já a programação da Unimar para a disciplina e cursos livres estão disponíveis pelo telefone da universidade (14) 2105-4000.

 

Foto: Júlio César de Carlis

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