Há histórias que estão nos livros, documentos e nos arquivos. Outras permanecem guardadas nas lembranças de quem viveu a cidade, nas construções que atravessaram décadas e nos lugares que, mesmo transformados pelo tempo, continuam presentes na memória. É justamente entre essas diferentes formas de lembrar Marília que nasceu a exposição “Marília: entre memórias e histórias”, em cartaz no Marília Shopping até 30 de agosto.
Realizada em parceria com a Secretaria da Cultura por meio da Galeria de Artes, a mostra reúne obras de diferentes períodos, artistas e linguagens que retratam patrimônios, monumentos e locais relacionados à história e à identidade do município. Mais do que apresentar um conjunto de obras, a exposição propõe ao visitante uma viagem pela memória da cidade, permitindo reconhecer em telas, fotografias e outras expressões artísticas lugares que fazem parte do imaginário coletivo dos marilienses.
O acervo que dá origem à exposição vem passando, desde 2024, por um processo de reorganização, com ações de catalogação, preservação e difusão. Formado por obras provenientes de concursos, premiações e doações de artistas e seus familiares, esse patrimônio reúne diferentes momentos da produção artística de Marília e constitui um importante registro da memória cultural do município.
Entre as obras que integram a mostra, está “Casa Assobradada”, de Rafael Dutra, que retrata o imóvel histórico localizado na Rua Dom Pedro, no centro da cidade. Tombada como patrimônio histórico, a construção é considerada a primeira edificação em alvenaria de Marília e vem sendo preservada e restaurada pelo Coletivo Preserva Mais. A obra transforma em imagem um dos símbolos da memória arquitetônica do município.
Outro destaque é “Rua São Luiz 6.19.29”, de Braz Alécio, um dos nomes mais importantes das artes plásticas marilienses. O próprio título da obra guarda uma particularidade: a data corresponde ao nascimento do artista e pode também estabelecer uma relação com a paisagem da Rua São Luiz naquele período, aproximando memória pessoal e memória urbana.
Também fazem parte da mostra “Pioneiros”, de Bel Campos, que representa um dos monumentos mais emblemáticos de Marília, e “Fábrica de Doces Cristal Ltda.”, de Wania Lombardi, que registra a tradicional fábrica que posteriormente se tornaria a conhecida Ailiram, referência importante na história econômica e afetiva da cidade.
Para o Marília Shopping, receber essa mostra amplia o acesso da população a um patrimônio que pertence à própria cidade. “Trazer esse acervo para o Marília Shopping é uma maneira de aproximar a história e a arte de Marília das pessoas. São obras que despertam lembranças, curiosidades e o reconhecimento de lugares que fazem parte da nossa própria trajetória. É uma exposição que permite olhar para a cidade com outros olhos e perceber o quanto da nossa identidade está presente nesses registros”, destaca Felipe Pimenta, coordenador de Marketing do Marília Shopping.
A iniciativa também contribui para o trabalho de difusão realizado pela Galeria de Artes, que mantém um espaço dedicado à promoção de exposições e à valorização de artistas locais e regionais. Além da exposição física, parte desse movimento de preservação e democratização do acesso ao patrimônio vem sendo realizada por meio do portal da Galeria:
https://galeria.marilia.sp.gov.br/, que disponibiliza o acervo para pesquisadores, estudantes e toda a população.
Fotos: Divulgação