Há 25 anos, o Centro Dia do Idoso (CDI) Anos Dourados faz parte da vida de muitas famílias de Marília. Mais do que um espaço de atendimento durante o dia, a unidade se consolidou como local de convivência, estímulo, novas experiências e fortalecimento de vínculos, contribuindo para a qualidade de vida das pessoas idosas e para o apoio às suas famílias.
Nesta sexta-feira, 25 de setembro, o CDI celebra 25 anos de existência, marcando uma trajetória iniciada em 2001, construída por profissionais, usuários e familiares que, ao longo desse período, ajudaram a transformar o espaço em uma referência da rede de proteção social do município.
Órgão vinculado à Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc), o Centro Dia atende pessoas com 60 anos ou mais que necessitam de apoio para atividades da vida diária, oferecendo acompanhamento durante o período em que seus familiares trabalham ou estudam. Ao final do atendimento, os idosos retornam para suas casas, mantendo a convivência familiar.
Entre os objetivos do CDI estão o fortalecimento de vínculos familiares e comunitários, a prevenção do isolamento social e contribuição para que a pessoa idosa permaneça inserida em seu ambiente familiar. As atividades realizadas no serviço também ampliam as oportunidades de convivência e participação.
Ao longo dos anos, o Anos Dourados recebeu projetos e atividades culturais, recreativas e socioeducativas. Entre as experiências desenvolvidas estão ações de valorização da memória, música, poesia, leitura dramática, atividades de socialização e iniciativas voltadas à autoestima. Em 2024, por exemplo, um projeto de leitura dramática realizado na unidade se transformou em 23 encontros, reunindo poesia, canto, jogos, brincadeiras, resgate de memórias e trocas intergeracionais.
Para a responsável técnica pelo CDI Anos Dourados, a assistente social Andréa Luiza Mataran, a comemoração representa o reconhecimento de uma construção coletiva.
“São 25 anos acompanhando histórias de vida, conhecendo famílias e vendo de perto mudanças muito importantes na vida dos nossos idosos. Nosso trabalho vai muito além das atividades do dia a dia. É estar presente, ouvir, incentivar, criar vínculos e fazer com que cada idoso se sinta valorizado e pertencente”, afirma.
A rotina da unidade reúne atividades de convivência, cultura, lazer e estímulo à autonomia, proporcionando momentos de socialização, novas experiências e interação entre os usuários.
Quem acompanha os resultados desse trabalho dentro de casa também percebe as transformações. É o caso de Bruno César Ramos Lima, 30 anos, sobrinho de Ruth Ramos. Depois do falecimento da mãe dele, que era a principal cuidadora de Ruth, Bruno conta que a tia passou por um período de tristeza e isolamento. Com a chegada ao CDI, ele começou a perceber uma mudança significativa.
“Ela passou a conversar mais, a interagir e, principalmente, voltou a demonstrar felicidade. As atividades contribuíram muito para o desenvolvimento físico e mental dela. Percebo que ganhou mais vitalidade e disposição”, relata.
Para Bruno, o atendimento também representa segurança para toda a família. “É uma rede de apoio que faz toda a diferença. Eu e meus irmãos trabalhamos e, sem esse serviço, seria muito difícil manter todos os cuidados necessários com ela em casa. O trabalho realizado aqui acolhe, orienta e fortalece as famílias”, destaca.
A presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa (Comdim), Tereza Machado, ressalta que a existência de serviços especializados é fundamental para garantir que o envelhecimento seja acompanhado de direitos, participação e respeito.
“Celebrar os 25 anos do Anos Dourados é reconhecer a importância de uma política pública que valoriza a pessoa idosa em sua integralidade. São espaços como esse que fortalecem a convivência, preservam vínculos e contribuem para que o envelhecimento aconteça com dignidade, respeito e participação social”, afirma.
Para a secretária municipal de Assistência Social e Cidadania, Hélide Maria Parrera, os 25 anos do Anos Dourados demonstram a importância de uma rede preparada para acompanhar o envelhecimento da população.
“Chegar aos 25 anos é motivo de muito orgulho para todos nós. O Anos Dourados representa uma política pública que olha para o envelhecimento com respeito e atenção, mas também para as famílias, que muitas vezes precisam de apoio para conciliar trabalho, responsabilidades e os cuidados com seus idosos. É um trabalho que envolve profissionais, usuários e familiares e que precisa ser fortalecido continuamente”, destaca.
Segundo Hélide, o atendimento busca preservar a autonomia e os vínculos das pessoas atendidas, oferecendo oportunidades de convivência e participação. “Cada usuário tem sua história, suas necessidades e suas potencialidades, e é isso que orienta o trabalho desenvolvido pela nossa equipe”, acrescenta.
Ao completar 25 anos, o CDI Anos Dourados celebra uma história construída no cotidiano, por meio de encontros, atividades, conversas, amizades e vínculos. Uma trajetória que mostra que cuidar da pessoa idosa também significa criar oportunidades para que ela continue participando, convivendo e ocupando seu espaço na comunidade.
E, para famílias como a de Ruth, esse trabalho ganha um significado ainda maior. Como resume Bruno, ao falar sobre a transformação vivida pela tia: “Felicidade.”
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